
Como diz a eterna campanha da Mastercard, algumas coisas não tem preço. E a dignidade do macho heterossexual é uma delas. Imaginem só a cena.
A namorada do sujeito há tempos insiste em conhecer uma boate gay, usando aqueles mesmos argumentos furados de sempre: que a música é boa, as pessoas são mais felizes, etc. O rapaz, é claro, nunca quis ir. Mas tanto ela pediu que ele, finalmente, resolveu ceder. Afinal de contas, ele estará acompanhado e livre do assédio dos baitolas. E ainda vai ganhar pontos com a menina.
E o casal vai para a boate. Tudo corre normalmente. Até que não foi tão ruim assim. Mas, na saída, o sujeito vê que o som do seu carro foi roubado. Malditos! O primeiro instinto nessas horas é fazer um boletim de ocorrência na delegacia. Mas, pensando um pouco mais, chega-se à fatídica conclusão: ele terá que dizer ao policial que o carro foi roubado no estacionamento de uma boate gay. E não adianta falar que estava lá apenas porque a namorada insistiu. O delegado certamente vai pensar: “essa bichona deu o toba a noite inteira e agora vem com desculpinha”. Conclusão: amargar o prejuízo e ir à feira do Paraguai comprar um som novo.
Outra situação semelhante. O sujeito está voltando do almoço e passa pelo CONIC para chegar ao trabalho. Ali, em frente à Berlim Discos, ele cruza com um grupo de travecos, que não gostam dos olhares que receberam. Os travestis ficam putos e vão correndo atrás do rapaz. Ele apanha e ainda tem a carteira e o celular roubados. O cara poderia procurar os policiais que ficam ali mesmo, pelo CONIC, e achar os desalmados transexuais. Mas qual seria a alegação? “Fui roubado por travestis que não foram com a minha cara?”. É claro que os baluartes da lei vão pensar no Ronaldo e em todas as bibas que comem travestis no horário de almoço e não querem pagar depois. E aí já era. Acabou-se a honra. Melhor voltar ao trabalho com o olho roxo e a dignidade intacta. E jamais contar a ninguém o acontecido.
Por João Amador
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